PORTUGUESES E BOTOCUDOS: CONFLITOS TERRIOTORIAIS, SÓCIOCRIMINAIS E AMBIENTAIS EM “NOTÍCIAS SOBRE OS SELVAGENS DO MUCURI” (1847-1861)

Alessandro Leite, Ana Maria Ribeiro

Resumo


Investigou-se a dinâmica dos conflitos sócio-criminais, territoriais e ambientais entre portugueses e
botocudos nos vales dos rios Mucuri e Doce, a partir do relato Notícias sobre os selvagens do Mucuri, (Teófilo
Otoni/1858). Os vales dos rios mencionados foram delimitados pela ideia do “medo dos canibais”, uma vez que, em
sua formação e representação, a hostilidade dos botocudos foi um elemento central. A decadência da mineração
levou o império brasileiro a forçar a entrada e invasão nos territórios habitados pelos botocudos. A hostilidade
dos botocudos foi abordada como estratégia de defesa e afirmação rebelde, envolvendo o emprego de práticas
violentas incorporadas às suas identidades originais, tais como, o esquartejamento e o canibalismo, visando
garantir a produção-reprodução de um território de existência étnica independente. A hipótese aqui explorada foi a
de que novas formas de violência política foram acionadas pelo poder oficial que, por meio da mobilidade humana
compulsória e arbitrária, promoveu a expulsão dos botocudos de seus territórios, impôs a entrada de imigrantes
“brancos”, transformou o uso econômico e cultural do território por meio da ocupação econômica predatória do
sistema agropecuário, bem como criminalizou ideologicamente os botocudos.


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