AUTO-EXÍLIO NAS MARGENS DO RIO DOCE

Márcia Batista, Paulo César Santos

Resumo


No processo de abolição da escravatura dos Estados Unidos da América, a rejeição por parte dos nortistas
de indenização aos sulistas pela perda de seus escravos e, a não aceitação desses últimos da extinção de sua
principal mão de obra, mais questões tarifárias, resultou na Guerra Civil Americana (1861 -1865), tendo como
resultado a morte de 600 mil indivíduos, custado mais de seis bilhões de dólares em impostos e a perda de muitas
propriedades. Inconformados com a nova ordem vigente e apoiados pelo então imperador brasileiro D. Pedro II,
algumas famílias sulistas dos Estados do Alabama, Texas, Louisiania, Tennessee, Carolina do Sul, Florida, Mississipe
e da Virgínia optaram por migrarem para o Brasil, formando núcleos coloniais em São Paulo, Espírito Santo, Paraná,
Rio de Janeiro, Pará, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. Em seu auto-exílio, os norte- americanos encontraram
no Brasil escravocrata, a estreita ligação com a mentalidade escravista predominante no sul dos Estados Unidos -
ainda - em meados do século XIX. O processo imigratório norte-americano em terras capixabas, parte justamente
desse inconformismo sulista e, da busca de terras onde pudessem retornar a sua atividade agrícola assentada na
mão de obra escrava, onde em 1865 um grupo de indivíduos se instalou às margens do lago Juparanã e do Rio
Doce, numa região tropical ainda caracterizada por surtos de malária. A presente comunicação deseja apresentar
as características da imigração dessas primeiras famílias de origem norte-americana para o Espírito Santo e, suas
contribuições no estrato social, econômico e cultural da formação da identidade capixaba.


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