REPRESENTAÇÕES E METARREPRESENTAÇÕES SOCIAIS ENTRE IMIGRANTES BRASILEIROS NA EUROPA: DOS TERRITÓRIOS AOS GRUPOS SOCIAIS

Roberta Batista, Mariana Bonomo

Resumo


A Europa tornou-se atrativa para brasileiros emigrantes desde a década de 1980. Países como Reino
Unido, Portugal e Espanha receberam grande contingente de compatriotas, em função da imagem de referência de
progresso econômico/social. Contudo, em função dos altos fluxos migratórios e da crise econômica, a população
migrante passou a ser um ônus para a sociedade europeia e hegemônica. A conjuntura social, na qual os imigrantes
são tidos como minoritários, implica maior influência do modelo hegemônico no pensamento social. Com base no
aporte da Teoria das Representações Sociais, o presente estudo objetivou conhecer as representações sociais
de Brasil, Europa, brasileiros, europeus e imigrantes, além das metarrepresentações de brasileiros e imigrantes
para 180 brasileiros residentes em seis territórios europeus (Reino Unido, Portugal, Espanha, Alemanha, Itália e
França). Para tanto, foi utilizado um roteiro semi-estruturado, conforme técnica de associação livre. Os resultados
mostraram que as representações sociais dos brasileiros a respeito do Brasil e da Europa, positivam o território
europeu em detrimento do brasileiro, correspondendo à função de justificar e orientar o propósito da migração.
Sobre os grupos, as representações sociais permitem a discussão de sua função identitária, pois demonstram que
os brasileiros positivam seus grupos sociais de pertença (brasileiros e imigrantes) pela via do afeto e elevação de
seu status social. As metarrepresentações de imigrantes apresentam a imagem de indesejabilidade e percepção de
incômodo à sociedade de destino. As metarrepresentações de brasileiros apontam para significados que objetificam
as mulheres brasileiras a partir da imagem do sexo e da prostituição, além de salientar as festas e o carnaval.
Conclui-se que as representações sociais a respeito dos territórios e dos grupos sociais em análise favorecem a
discussão da justificativa para migração e da função identitária das representações por apresentarem conteúdo
polêmico sobre os grupos sociais que atuam como minoritários frente à sociedade hegemônica europeia.


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