OS BONS USOS DO PROFANO E O SAGRADO ECLESIÁSTICO: CONSIDERAÇÕES SOBRE AS PRÁTICAS MÁGICAS NA IGREJA MEDIEVAL

Roni Tomazeli

Resumo


A suposta “vitória” do Cristianismo frente às crenças e tradições das antigas religiões politeístas, as quais
nomeamos, grosso modo, paganismo não se mostrou tão efetiva quanto se objetivava. A continuidade de ritos e
elementos de culto e adoração às deidades da natureza estiveram presentes ao longo de toda a Idade Média,
em especial junto às populações iletradas do campo – em um ambiente hostil no qual as autoridades religiosas
enfrentaram grandes dificuldades em exercer sua influência e domínio. Ademais, no cerne da própria hierarquia
eclesiástica manifestavam-se díspares concepções sobre as reminiscências pagãs, visto que entre o alto e o baixo
clero eram exercidos diferentes usos das práticas mágicas de acordo com as necessidades de interação com as
populações recém (ou ainda a serem) cristianizadas. Na conjuntura de uma sociedade ainda profundamente marcada
pela crença e temor do sobrenatural, como se apresentava o medievo cristão ocidental, a Igreja buscou adequar
aspectos das antigas tradições pagãs à sua ortodoxia, ao passo que os elementos impassíveis de assimilação eram
transportados à esfera de malignidade. A presente comunicação tem por objetivo evidenciar como tal confluência
de representações entre o profano e o sagrado e sua adequação à doutrina eclesiástica propiciou a continuidade
de uma série de elementos característicos das chamadas superstições, que ao fim do medievo seriam convertidos
na perfídia da bruxaria.


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