Em terras brasileiras: famílias de imigrantes italianos territorializam no Espírito Santo e reterritorializam em Minas Gerais

Sandra Nicoli

Resumo


Caracterizada por ser uma imigração familiar com a maior procedência vinda da região do Vêneto
na Itália, a presença de imigrantes italianos no território brasileiro ocorreu em várias regiões. O atual
Estado do Espírito Santo teve fundamental importância em relação à vinda de imigrantes para o Brasil,
com destaque para os italianos. O projeto imigrantista para esse território geográfico era fundamentado na
pequena propriedade familiar. Minas Gerais foi destino secundário dos imigrantes italianos. Este estudo
analisa a territorialização das famílias de imigrantes italianos no Espírito Santo e a reterritorialização dessas
e/ou de seus descendentes em Minas Gerais numa dimensão de mobilidade populacional. Colonizadas e
povoadas por famílias de imigrantes italianos, as localidades de Alfredo Chaves e Castelo no Espírito Santo
no final do século XIX e de Itueta e Santa Rita do Itueto em Minas Gerais no início do século XX, através das
territorialidades estabelecidas por esses agentes sociais se transformaram em territórios “italianizados” a
partir das relações sociais. Ao territorializarem-se ocorreu o movimento de reprodução das relações sociais
originais e, ao se reterritorializarem houve uma reprodução de elementos. Para uma melhor compreensão
desse fenômeno e a formação de territórios “italianizados”, trabalhamos com a memória dos descendentes
dessas famílias de imigrantes italianos a partir dos relatos orais e da análise dos referenciais bibliográficos
que abordam a temática. Nesse sentido, o estudo conclui que ao chegar às terras brasileiras, os imigrantes
italianos buscavam manter sua italianidade através da reconstrução de hábitos e costumes, das festas e
da ideia transmitida para os descendentes de que ser italiano/descendente é ser diferente dos brasileiros.
Sendo assim, as famílias de imigrantes italianos, no processo de territorialização e reterritorialização,
imprimiram marcas e deixaram vestígios no tempo e no espaço construindo “territórios italianizados”
apropriados e dominados a partir das relações sociais estabelecidas.


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