HUMOR, ENGENHO E ARTE: UM “PATO AO TUCUPI” DE MARCELO SANDMANN

Lucas dos Passos

Resumo


A poesia de Marcelo Sandmann pode ser caracterizada, em geral, como irônica, bem-humorada, dada a peripécias linguísticas e dotada de um dinamismo e uma rarefação típicos da contemporaneidade, inclusive pelo diálogo que estabelece entre a “cultura erudita” e a popular; de igual modo não são raros os poemas de elevada voltagem erótica e também aqueles que lidam com as formas tradicionais, como o soneto de métrica regular. Todos esses traços são colocados em pauta em “Pato ao tucupi (uma breve digressão herói-cômica)”, poema de seu segundo livro que põe em cena a inusitada relação entre um homem de meia idade e uma jovem “de-menor” numa suíte de motel. Ao longo das 24 estrofes compostas segundo o esquema camoniano d’Os Lusíadas, Sandmann une a sucessão de eventos risíveis a jogos de linguagem que intensificam a comicidade dos versos. Para a análise desse humor – que, autoirônico, se volta contra o próprio autor e protagonista do pequeno enredo poético (uma vez que, em diversos momentos, é dele que se ri) –, além da leitura de dados e formas da tradição evocados pelo poeta, virão à baila os estudos de Freud acerca do chiste e o ensaio de Henri Bergson sobre o riso.

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