Acessando o campo político através da esfera pública capixaba: A Central brasileira em debate da década de 40

Douglas Edward Furness Grandson

Resumo


Com a redemocratização de 1945, segundo Skidmore (1982), a política brasileira passou por um período ímpar, com uma democracia ainda marcada pelas alterações ocorridas no Estado Novo de Vargas. A nível nacional e regional o campo político democrático foi delineado pela elite, com o protagonismo do partido situacionista, o PSD, e em segundo plano, a UDN. Desse modo, os atores políticos, intelectuais e civis calcularam essa realidade, e o espaço para
movimentos políticos dentro dela. Em uma esfera pública restrita, ainda muito marcada pela tradição autoritária, o campo intelectual fornece um acesso ao campo político, aquele em que ocorrem as lutas intestinas e as trocas simbólicas com o público. Para tanto, a análise de vários jornais capixabas é útil, sobre um tema que esteve em debate no estado: a energia elétrica. A Central Brasileira de Força Elétrica (C.C.B.F.E.), conhecida como Central Brasileira, foi a empresa concessionária de energia elétrica em Vitória e Cachoeiro de Itapemirim, de 1927 até 1964, sendo fundida com a Escelsa em 1968. Esta empresa era propriedade da American Foreign and Power (Amforp), holding da americana Eletric Bond and Share. Esta, por sua vez, era holding da General Eletric, cuja a maioria das ações estavam em poder do grupo financeiro J.P. Morgan. Desse modo, o capital norte americano, seguindo o que Joelsons (2014) e Ferreira
(2012) identificaram, havia entrado no Brasil, desde a década de 20, haja vista os impedimentos legislativos americanos com relação aos trustes, e o grande acúmulo de capitais proporcionados pela Guerra Mundial. Na década de 40, segundo indicou Bittencourt (2011), a empresa começou a apresentar deficiências e gerar insatisfação popular. Essa comunicação visa demonstrar, através do campo intelectual, registrado nos diversos jornais capixabas da época: A Gazeta, A Tribuna, A Época e Folha Capixaba, a configuração da esfera pública, assim como o campo político estruturado pelos partidos dominantes, o PSD e a UDN.


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