Entre a continuidade e a ruptura nas esquinas da magia: a emergência dos mistagogos dos Papiros Mágicos na Antiguidade Tardia.

Hariadne da Penha Soares

Resumo


A emergência dos mistagogos como taumaturgos no contexto da Antiguidade tardia desenvolveu-se a partir das interações culturais entre o Império romano e o Mundo Helenístico que proporcionaram, no Egito, o desenvolvimento de uma religião híbrida que reunia a tradição mágica do Egito faraônico e os cultos de mistério do mundo grego. Nesse contexto, marcado pelo hibridismo religioso, entre a continuidade das práticas mágicas e a ruptura com tradições antigas, é que percebemos a emergência dos mistagogos como proeminentes homens divinos, theioi andrés, que cumpriam a função de mediadores entre o mundo sobrenatural e o natural. Dispondo de poderes taumatúrgicos, os mistagogos dominavam um saber que lhes conferia prestígio social, em razão da íntima relação com as divindades da qual aparentavam desfrutar e exerciam papel de líderes entre seus seguidores. Neste sentido, nosso propósito com esta apresentação é analisar uma categoria específica de homens divinos: os mistagogos da Antiguidade Tardia, sacerdotes pagãos que atuavam como taumaturgos em suas comunidades, praticando uma magia vinculada aos cultos de mistério do Oriente e desvelada pelas divindades durante a experiência ascética e a purificação observadas pelo mistagogo visando ao domínio da ars magica. Em nossa comunicação apresentaremos os taumaturgos greco-egípcios que foram os principais praticantes e depositários do vasto repertório de fórmulas, rituais, encantamentos e técnicas de adivinhação presente na coletânea conhecida como Papiros Mágicos Greco-egípcios.


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