Comparando a fala cantada e falada de crianças gêmeas

um diálogo entre os estudos psicolinguísticos e musicais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/cl.v15i30.35409

Palavras-chave:

Prosódia, Aquisição de linguagem, Canto

Resumo

Neste artigo, estabelecemos um diálogo entre os estudos de desenvolvimento prosódico e musical de crianças, destacando a falta de diálogo entre as áreas de Psicolinguística, Música e áreas afins. Além de apresentarmos um debate entre as áreas, investigamos, por meio da comparação do tom médio (TM) na voz cantada e falada, se há diferenças na comparação das duas modalidades na voz em desenvolvimento de duas crianças gêmeas no intervalo de 1 a 2 anos. Para isso, analisamos dados naturalísticos das duas crianças, comparando o TM, i.e a média dos valores de F0 obtidos em uma determinada elocução, após a normalização da curva entoacional realizada pelo aplicativo ExProsodia®, com parâmetros de 150-700 Hz, com duração de 20 ms para cada momento, com variação máxima de 3 semitons acima e abaixo da média acumulada no tempo. Na análise dos dados, obtivemos uma média aproximada do tom médio das crianças em situação de fala e de canto, embora os valores do desvio padrão mostrem uma espécie de “afinação/delimitação total” na voz cantada das crianças. A estatística χ2 de contingência apontou para uma diferença significativa somente quanto à dispersão entre os sujeitos (P<0,01); os demais valores comparados, apesar de resultado relativamente baixo (P=0,06), não nos permitem, ainda, conclusões mais seguras.

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Biografia do Autor

Maria de Fatima de Almeida Baia, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB)

Doutora, mestra e graduada em Linguística pela Universidade de São Paulo (USP), com estágio doutoral na University of York; especialista em Musicoterapia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Candeias (FAC) e em Psicologia Transpessoal pela Faculdade Unyleya. É professora do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários e do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).

Waldemar Ferreira Netto, Universidade de São Paulo (USP)

Doutor e mestre em Linguística pela Universidade de São Paulo (USP); graduado em Letras-Português pela mesma instituição. É professor do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas e do Programa de Pós-Graduação em Filologia e Língua Portuguesa da USP.

Laís Rodrigues Silva Bockorni , Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB)

Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB); graduada em Letras Vernáculas pela mesma instituição. É bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB).

Ana Cristina Oliveira Santos , Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB)

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB); mestra em Letras: Cultura, Educação e Linguagens e graduada em Letras Vernáculas pela mesma instituição.

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Publicado

2021-07-26