O caráter interacional e intertextual da argumentação polêmica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/cl.v15i31.35652

Palavras-chave:

Argumentação polêmica, Interação, Encenação, Intertextualidades

Resumo

Os critérios analíticos da Linguística Textual são motivados por uma tentativa de explicação para as escolhas textuais por meio das quais o sujeito age sobre o seu dizer, reelaborando-o a todo instante, negociando-o com os prováveis interlocutores (em seus papéis sociais), para buscar atender a seus propósitos (CAVALCANTE et alii, 2020). É justamente a suposição dessa agentividade, dessa actorialização, que faz a LT eleger como critérios de análise os diversos recursos de que pode se valer o locutor para tentar persuadir a quem ele projeta como interlocutor e, muitas vezes, como terceiro. Analisamos as marcas da negociação dos conflitos entre pontos de vista antagônicos que acontecem nas modalidades argumentativas polêmicas, admitindo amplamente que, nas interações humanas, os interlocutores mobilizam recursos tecnolinguageiros, em ambientes digitais, nas diversas tentativas de reafirmar seu ponto de ponto de vista no dissenso e de influenciar o terceiro. Enfatizamos, neste trabalho, dois traços da modalidade argumentativa da polêmica que merecem ser aprofundados ainda. O primeiro é o fato de a noção de polêmica de Amossy (2017) se descrever não como uma oposição discursiva pela qual todo discurso se identifica, mas como um dos tipos de modalidade argumentativa, o que exige que a polêmica aconteça numa interação concreta, em que os participantes encenam o papel social de Proponente, de Oponente e de Terceiro. O segundo é o fato de a intertextualidade não ser um recurso opcional nessa modalidade, mas uma condição para que o embate se efetive no espaço público.

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Biografia do Autor

Mônica Magalhães Cavalcante, Universidade Federal do Ceará (UFC)

É bolsista CNPq de Produtividade em Pesquisa nível PQ-1. Líder do Grupo de pesquisa PROTEXTO (UFC). Tem pós-doutorado em Linguística pela Unicamp. Desde 1989, é professora da Universidade Federal do Ceará. Membro do GT Linguística do Texto e Análise da Conversação, da Associação Nacional de Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL). Tem experiência na área de Linguística Textual, com ênfase em referenciação, intertextualidade, metadiscursividade, argumentação, heterogeneidades enunciativas, gêneros do discurso, articulação tópica e sequências textuais.

Mariza Angélica Paiva Brito, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab)

Professora do Mestrado em Estudos da Linguagem e do Mestrado Interdisciplinar em Humanidades (Unilab); bolsista de Produtividade em Pesquisa da FUNCAP (BPI); professora adjunto da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (UNILAB); pós-doutora em Linguística de Texto, mestre e doutora em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFC. Líder do GELT - Grupo de Pesquisa em Linguística Textual (CNPq / UNILAB) e vice-líder do PROTEXTO - Grupo de Pesquisa em Linguística (CNPq / UFC). Membro do GT Linguística do Texto e Análise da Conversação, da Associação Nacional de Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL). Desenvolve pesquisas na área de Linguística Textual, heterogeneidade enunciativa e argumentação.

Evandro de Melo Catelão, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

Doutor em Letras pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Pós-Doutor na área de Linguística Textual pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Professor do Magistério Superior da Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Campus Curitiba e Professor do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens - PPGEL no Campus Curitiba, membro do Grupo de Pesquisa PROTEXTO (UFC). Tem pesquisas diversas na área de Linguística Textual e ensino, estudando principalmente: gêneros do discurso, argumentação, retórica; leitura e produção de gêneros acadêmicos.

Maria da Graça dos Santos Faria, Universidade Federal do Maranhão (UFMA)

Mestrado e Doutorado em Linguística pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Docente associado IV da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Membro do Grupo de Pesquisa Protexto (UFC). Coordenadora do Grupo de Pesquisa Estratégias e Procedimentos de Organização Textual (GEPOT). Professora do Programa de Pós-Graduação do Departamento de Letras da UFMA (PGLetras). Membro do GT em Linguística Textual e Análise da Conversação e membro do GT “Discurso e argumentação” da ANPOLL.

Ananias Agostinho da Silva, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Doutor em Estudos da Linguagem. Professor adjunto da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), atuando no Departamento de Ciências Humanas e no Programa de Pós-Graduação em Ensino (POSENSINO). É também professor permanente do Programa de Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS), Unidade de Pau dos Ferros, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). É líder do Grupo de Pesquisa em Estudos Linguísticos do Texto (GPELT/UFERSA), membro do Grupo de Pesquisa PROTEXTO (UFC) e do Grupo de Pesquisa em Análise Textual dos Discursos (ATD/UFRN). Membro do GT Linguística do Texto e Análise da Conversação, da Associação Nacional de Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL). Desenvolve estudos em Linguística Textual, atuando principalmente nos seguintes temas: gêneros textuais, ensino de língua materna, argumentação e polêmica.

Suzana Leite Cortez, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Doutora em Linguística pela UNICAMP, com estágio de doutorado sanduíche na Université de Lyon 2 - França, e Pós-Doutorado pela Université Sorbonne Nouvelle-Paris 3. É professora adjunto IV do Departamento de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL), da Universidade Federal de Pernambuco e líder do GESTO - Grupo de Estudos do Texto (CNPq/UFPE). Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Linguística textual, atuando principalmente nos seguintes temas: referenciação, argumentação em textos, ponto de vista, heterogeneidade enunciativa, formação de professores e ensino de língua portuguesa.

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Publicado

2021-10-03