FRONTEIRA E EXÍLIO EM VIDAS SECAS, DE GRACILIANO RAMOS

Autores

  • Maria Esther Torinho Ufes

Resumo

Resumo: Este artigo pretende abordar os temas exílio e a fronteira na obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, a partir de conceitos de Boaventura dos Santos, Nietzsche, MD Magno, Hardt e Negri, Marilena Chauí e Silviano Santiago, além de outros, discutindo questões relativas a solidão e luta social. Percebe-se que a seca determina o exílio dos personagens, fazendo com que vivam se deslocando, percorrendo fronteiras invisíveis, geográfica, social e
culturalmente falando, ampliando os conceitos de fronteira e exílio para o campo metafórico, além de conferir aos personagens uma imaginação utópica com a qual desejam transformar pequenos sonhos em realidade. Assim, essa
obra mostra ser um espaço privilegiado para um diálogo interdisciplinar, no qual se cruzam áreas como Filosofia e Sociologia, já que, esse contexto de miséria iguala-os a bichos, tendo a linguagem como metáfora de poder e
mecanismo de exclusão e, por trás de tudo, o cinismo daqueles que estão do outro lado; eis um meio social caracterizado pela segregação – de um lado, os desvalidos, sem possibilidades de comunicação, de argumentação e
questionamento sobre seus direitos e, do outro lado, aqueles que detêm algum poder e que dele abusam, transformando-se assim, a linguagem, em instrumento de perpetuação do status quo, incrementando nos desvalidos
exílio dos outros e de si mesmos. Porém esses desvalidos ainda sonham com pequenos prazeres e uma vida melhor, embora essa imaginação utópica não possa nutrir-se de fatores objetivos que tragam mudanças.

Palavras-chave: Vidas Secas, fronteira, exílio

Abstract: This article aims to discuss frontier and banishment in Vidas Secas, by Graciliano Ramos, according to the ideas of Boaventura dos Santos, Nietzsche and MD Magno, Hardt and Negri, Marilena Chauí and Silviano Santiago,
among others, through an approach of loneliness and social struggle. One can see that drought settles the banishment of the characters, making them move on and on, roaming about invisible borders, geographically, socially and
culturally speaking, amplifying, thus, the ideas of frontier and banishment to a metaphoric field, besides giving the characters an utopic imagination with which they hope to turn little dreams into reality. So, the book can be read as
an encouraging moment for a multidisciplinary dialogue, involving Philosophy and Sociology, whereas this context of extreme poverty turns people into animals, having language as a metaphor for power and exclusion, and behind
everything, the cynicism of those who are on the other side; it is a society characterized by segregation - on one side, the wretch people, who can neither communicate nor argue about their rights and, on the other side, those who hold
some power and abuses of it, thus turning language into an instrument for perpetuating the status quo, increasing their personal and social banishment. However, those helpless people still dream of small pleasures and a better life,
although this utopic imagination can not nourish on objective factors that could bring the changes.

Key words: Vidas Secas, frontier, banishment

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Publicado

2016-02-01