Aspectos fisiológicos e reprodutivos de Bos taurus e Bos indicus: uma revisão comparativa

Autores

  • Maria Clara Fernandes Barrada
  • Maria Eduarda Mareli Gomes
  • Clauber Furtado Braga
  • Marco Túlio Costa Almeida

Resumo

A bovinocultura está em grande ascensão nas últimas décadas, impulsionada pela crescente demanda global de carne bovina e pelo avanço das tecnologias voltadas à produção animal. Por isso, é importante que a eficiência reprodutiva dos rebanhos seja garantida, refletindo no sucesso da pecuária de corte em larga escala. No entanto, a diversidade genética dentro das principais espécies bovinas criadas para esse fim, especialmente Bos taurus e Bos indicus, diferem em aspectos fisiológicos, comportamentais e, principalmente, reprodutivos. Esses fatores influenciam diretamente os índices de fertilidade, os protocolos de manejo e as estratégias adotadas para cada rebanho. Portanto, o objetivo desse resumo é compreender as principais diferenças reprodutivas entre Bos taurus e Bos indicus para a adoção de métodos mais eficazes, que maximizem a produtividade e a sustentabilidade da cadeia de carne bovina. Para a realização deste trabalho foram utilizadas revisões bibliográficas, pesquisas em artigos e revistas do banco de dados do Google Acadêmico, utilizando os seguintes descritores  “comportamento estral”, “dinâmica folicular”, “ciclo reprodutivo”,  “Bos taurus” e “Bos indicus” que revelaram 5.713 resultados, com publicação a partir de 2015, e, 5 desses trabalhos foram selecionados. Estudos realizados com ultrassonografia ovariana transretal em bovinos Bos taurus e Bos indicus avaliaram os ciclos reprodutivos de novilhas e vacas, ressaltando, assim, algumas diferenças relevantes, como a duração do estro, ondas de crescimento folicular e diâmetros de folículos ovulatórios e corpo lúteo. Os achados sugerem que a duração do estro em Bos indicus é menor do que em Bos taurus, considerando uma média de 12 horas e 16 horas, respectivamente. As ondas foliculares e diâmetro de folículos ovulatórios podem alterar de acordo com a categoria e raça do animal, entretanto, fêmeas Bos taurus tendem a apresentar duas ondas de crescimento folicular com folículos ovulatórios de diâmetros de 17,1 e 16,5 mm para a primeira e segunda onda. Já em vacas Bos indicus, é comum a ocorrência de três ondas podendo existir até 4, com diâmetros de folículos ovulatórios que variam entre 11,3 e 12,3 mm. O diâmetro do corpo lúteo também foi relatado como menor em Bos indicus do que em Bos taurus. Os corpos lúteos de zebuínos apresentam diâmetros que variam entre 17 e 21 mm, enquanto nos taurinos, os valores relatados ficam entre 20 e 30 mm. Embora existam muitos estudos a respeito do funcionamento fisiológico e reprodutivo dos bovinos, a literatura ainda carece de informações mais concisas a respeito das diferentes espécies, principalmente quando criadas sob mesmas condições de clima e alimentação. Portanto, é importante conhecer tais disparidades reprodutivas para que estratégias de manejo sejam implementadas de forma a atender as diferentes espécies e suas respectivas necessidades, impulsionando, assim, o avanço e aprimoramento da bovinocultura.

Palavras-chave: Ciclo estral; Folículo ovulatório; Fisiologia.

Downloads

Publicado

27-05-2026