“São essas mínimas coisas do dia a dia que vão te colocando no seu lugar, sabe, que não é ali”: O Cotidiano de Pesquisadoras Negras no Contexto Acadêmico da Administração”

Autores

  • Chiara Gomes Costanzi Universidade Federal de Minas Gerais
  • Juliana Schneider Mesquita Universidade Federal do Espírito Santo

DOI:

https://doi.org/10.47456/regec.2317-5087.2021.10.2.36025.122-144

Palavras-chave:

Interseccionalidade, Cotidiano, Táticas, Estratégias, Gênero

Resumo

Este estudo teve por objetivo analisar as táticas e estratégias mobilizadas por pesquisadoras negras da área da Administração no Brasil para ocupar espaços em instituições federais de ensino superior. Partimos da perspectiva do cotidiano de Michel Certeau e das contribuições da abordagem da interseccionalidade, que juntas, permitirão compreender como estes dispositivos significados de poder de gênero, raça e classe atravessam a existência dessas pesquisadoras e afetam e são afetadas pelas suas táticas e estratégias cotidianas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e descritiva que envolveu entrevistas em profundidade analisadas sob a abordagem da análise francesa do discurso. Os principais resultados apontam que, apesar de todas dificuldades e obstáculos, as mulheres negras têm ocupado um espaço próprio dentro da academia e dos estudos em Administração, a partir do qual suas táticas se modificam para funcionar dentro das fissuras de novas dinâmicas de poder, causadas a partir de dispositivos de poder socialmente construídos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Chiara Gomes Costanzi, Universidade Federal de Minas Gerais

Mestra em Administração pelo Centro de Pós-Graduação e Pesquisas em Administração (CEPEAD) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Juliana Schneider Mesquita, Universidade Federal do Espírito Santo

Mestranda em Administração pelo Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGAdm) da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Referências

Akotirene, C. (2019). Interseccionalidade. São Paulo: Sueli Carneiro; Pólen.

Almeida, S. (2019). Racismo estrutural. São Paulo: Sueli Carneiro; Pólen.

Barreto, P. C. S. (2015). Gênero, raça, desigualdades e políticas de ação afirmativa no ensino superior. Revista Brasileira de Ciências Políticas, 16, 39-64.

Barros, A., & Carrieri, A. de P. (2015). O cotidiano e a história: construindo novos olhares na administração. Revista de Administração de Empresas, 55(2), 151-161.

Beltrão, K. I., & Teixeira, M. P. (2004). O vermelho e o negro: raça e gênero na universidade brasileira, Rio de Janeiro, 2004. Disponível em: http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/1893/1/TD_1052.pdf. Acesso em agosto de 2017.

Bottero, W. (2004). Class identities and the identity of class. Sociology, 38(5), 985- 1003.

Butler, J. (2004). Undoing gender. Oxfordshire: Routledge.

Cabana, R. P. L., & Ichikawa, E. Y. (2017). As identidades fragmentadas no cotidiano da Feira do Produtor de Maringá. Organizações & Sociedade, 24(81), 285-304.

Cantoral-Cantoral, G. (2016). Vida cotidiana: uso/ocupación del tiempo/espacio y reconfiguración identitaria de género en San Cristóbal de Las Casas, Chiapas. LiminaR Estudios Sociales y Humanísticos, 14(2), 70-84.

Carrieri, A. P., Murta, I. B. D., Teixeira, J. C., & Souza, M. M. P. (2012). Estratégias e Táticas Empreendidas nas Organizações Familiares do Mercadão de Madureira (Rio de Janeiro). Revista de Administração Mackenzie, 13(2), 196-226.

Carrieri, A. P., Perdigão, D. A., & Aguiar, A. R. C. (2014). A gestão ordinária dos pequenos negócios: outro olhar sobre a gestão em estudos organizacionais. Revista de Administração, 47(4).

Carneiro, A. S. (2005). A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. Tese de Doutorado (Programa de Pós-Graduação em Educação) - USP, São Paulo.

Certeau, M. de. (1994). A invenção do cotidiano 1: as artes do fazer. Petrópolis: Vozes.

Collins, P. H. (2019). Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento; tradução Jamille Pinheiro Dias. – 1. ed. – São Paulo: Boitempo.

Conceição, E. B. (2009). A negação da raça nos estudos organizacionais. In: Encontro da ANPAD, Anais... São Paulo.

Conceição, E. B. (2016). Mulher negra em terra de homem branco: mecanismos de reprodução de desigualdades. In: Carrieri, A. de P., Teixeira, J. C., & Nascimento, M. C. R. (org.). Gênero e trabalho: perspectivas, possibilidades e desafios no campo dos estudos organizacionais. Salvador: EDUFBA, 277-319.

Cosra, R. G. (2009). Mestiçagem, racialização e gênero. Sociologias, 21, 94-120.

Crenshaw, K. W. (1989). Demarginalizing the intersection of race and sex; a black feminist critique of discrimination doctrine, feminist theory and antiracist politics. University of Chicago Legal Forum, 139-167.

Davis, A. (2016). Mulheres, raça e classe; tradução Heci Regina Candiani. – 1. ed. – São Paulo: Boitempo.

Davis, A. (2017). Palestra: Feminismo negro decolonial nas Américas. Salvador. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Az3uvwz0P1M.

Degob, R., & Palassi, M. P. Os sentidos da participação dos colaboradores nos projetos e ações sociais dos Correios do Estado do Espírito Santo. (2009). Organizações & Sociedade, 16, 265-86.

Dubet, F. (1994). Sociologia da experiência. Lisboa: Instituto Piaget.

Faria, A. A. M. (2009). Aspectos de um discurso empresarial. In: Carrieri et. al. (Org.). Análise do discurso em estudos organizacionais. Curitiba: Juruá, 45-52.

Fernandes, F. (1972). O negro no mundo dos brancos. São Paulo: Difusão Europeia do Livro.

Ferraço, C. E. (2017). Currículo-docência-menor e pesquisas com os cotidianos escolares: Quaestio: Revista de Estudos de Educação, 19, 529-546.

Ferreira, C. (2016). Nas tramas do cotidiano: experiências de jovens e mulheres trabalhadoras na indústria têxtil de Blumenau (1958-1968). Estudos Históricos, 29(59), 725-744.

Flick, U. (2009). Introdução à pesquisa qualitativa. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed.

Foucault, M. (1995). O sujeito e o poder. In: Rabinow, P.; Dreyfus, H. Michel Foucault, uma trajetória filosófica: para além do estruturalismo e da hermenêutica (Trad. Carrero, V. P.). Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Foucault, M. (1992). Microfísica do poder. 10. ed. Rio de Janeiro: Graal.

Gonzalez, L. (2018). Primaveira para as rosas negras: Lélia Gonzalez em primeira pessoa... 1. ed. – Diáspora Africana: Editora Filhos da África.

Gouvêa, J. B., Cabana, R. P. L., & Ichikawa, E. Y. (2018). As histórias e o cotidiano das organizações: uma possibilidade de dar ouvidos àqueles que o discurso hegemônico cala. Farol – Revista de Estudos Organizacionais e Sociedade, 5(12), 297-347.

Gouvêa, J. B.; Ichikawa, E. Y. (2015). Micropráticas Cotidianas: A Voz Silenciosa dos Indivíduos em Oposição ao Formalmente Estabelecido na Gestão Cooperativa? Uma Reflexão Teórica. Perspectivas Contemporâneas, 10, 92-107.

Gil, A. C. (1994). Métodos e técnicas de pesquisa social. 4. ed. São Paulo: Atlas.

Guimarães, A. S. (2006). Depois da democracia racial. Tempo Social, 18(2).

Hirata, H. (2014). Gênero, classe e raça: interseccionalidade e consubstancialidade das relações sociais. Tempo Social, 26(1), 61-73.

Irwin, S. (2015). Class and comparison: Subjective social location and lay experiences of constraint and mobility. The British Journal of Sociology, 66(2), 259-281.

Kergoat, D. (2012). Se battre, disent-elles… Paris, La Dispute.

Kergoat, D. (2010). Dinâmica e consubstancialidade das relações sociais. Novos Estudos Cebrap.

Lakatos, E. M., & Marconi, M. A. (2002). Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisa. São Paulo: Atlas.

Lima, B. S., Braga, M. L. S., & Tavares, I. (2015). Participação das Mulheres nas Ciências e Tecnologia. Gênero, 16(1)11 – 31.

Lombardi, M. R. (2004). Mulheres engenheiras no mercado de trabalho brasileiro: qual seu lugar? In: Galeazzi, Irene M.S. (ed.) Mulher e Trabalho. FEE, FGTAS/SINE-RS, DIEESE SEADE-SP, FAT/MTE PMPA.

Lugones, M. (2014). Rumo a um feminismo descolonial. Estudos Feministas, 22(3), 935-952.

Machado, I. J. de R. (2002). Mestiçagem arqueológica. Estudos Afro‑Asiaticos, 24(2), 385-408.

Marins, S. R., & Ipiranga, A. S. R. (2017). O organizar ampliado de práticas cotidianas nos bairros da cidade. Farol – Revista de Estudos Organizacionais e Sociedade, 4(9), 148-204.

Martins, J. de S. (2008). A sociabilidade do homem simples. São Paulo: Hucitec.

Mesquita, J. S., & Bezerra, M. S. (2020). “Brazil cannot stop”: meritocratic ideology in an unequal country. Gender, Work & Organization, Feminist Frontiers, 1-15. DOI: https://doi.org/10.1111/gwao.12589.

Minella, L. S. (2013). Temáticas prioritárias no campo de gênero e ciências no Brasil: raça/etnia, uma lacuna? Cadernos Pagu, 40, 95-140.

Nascimento, A. do. (2016). O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. 3. ed. – São Paulo: Perspectivas.

Patto, M. H. S. (1993). O conceito de cotidianidade em Agnes Heller e a pesquisa em educação. Perspectivas, 16, 119-141.

Pêcheux, M. (1993). Análise automática do discurso. In: Gadet, F.; Hak, T. (Orgs.). Por uma análise automática do discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. 2a ed. Campinas: Ed. Unicamp.

Rey, F. G. (2005). Pesquisa qualitativa e subjetividade. São Paulo: Pioneira Tomson.

Richard, N. (2002). Experiência e representação: o feminino, o latino-americano. In: Richard, N. Intervenções críticas: arte, cultura, gênero e política. Belo Horizonte: Editora UFMG,142-155.

Rodrigues, F. S., & Ichikawa, E. Y. (2015). O cotidiano de um catador de material reciclável: a cidade sob o olhar do homem ordinário. RGSA: Revista de Gestão Social e Ambiental, 9, 97-112.

Saffiotti, H. (2009). Ontogênese e filogênese do gênero: ordem patriarcal de gênero e a violência masculina contra mulheres. Série Estudos/Ciências Sociais/FLASCO-Brasil. Disponível em: http://www.flacso.org.br/portal/pdf/serie_estudos_ensaios/Heleieth_Saffioti.pdf.

Santos, J. T., & Queiroz, D. M. (2013). O impacto das cotas na Universidade Federal da Bahia (2004-2012). In: Santos, J. T. (org.). O impacto das cotas nas universidades públicas brasileiras (2004-2012). Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais. 37-65.

Santos, T. (2007). Trajetórias de professores universitários negros: a voz e a vida dos que trilharam. Cuiabá: Editora da UFMT.

Saraiva, L. A. S. (2009). Mercantilização da cultura e dinâmica simbólica local: a indústria cultural em Itabira, Minas Gerais. 2009. 333 f. Tese (Administração) – UFMG, BH.

Scott, J. (1989). Gender: a useful category of historical analyses. Gender and the politics of history. New York, Columbia University Press.

Souza, E. M. (2016). Fazendo e desfazendo gênero: a abordagem pós-estruturalista sobre gênero. In: Carrieri, A. P., Teixeira, J. C., & Nascimento, M. C. R. (Org.). Gênero e trabalho: perspectivas, possibilidades e desafios no campo dos estudos organizacionais. Salvador: EDUFBA, 23-55.

Teixeira, J. C. (2016). A graduação e a pós-graduação: lugares de quem? In: IV Congresso Brasileiro de Estudos Organizacionais. Anais... Porto Alegre, 19 a 21 de out. de 2016.

Teixeira, J. C., Oliveira, J. S., & Carrieri, A. P. (2020). Por que falar sobre Raça nos Estudos Organizacionais no Brasil? Da discussão biológica à dimensão política. Perspectivas Contemporâneas, 15, 46-70.

Teixeira, J. C., Oliveira, J. S., Diniz, A., & Marcondes, M. M. (2021). Inclusão e diversidade na Administração: manifesta para o futuro-presente. RAE-Revista de Administração de Empresas, 61(3).

Teixeira, J. C., Saraiva, L. A. S., & Carrieri, A de P. (2015). Os lugares das empregadas domésticas. Organizações & Sociedade, 2(72), 161-178.

Van Dijk, T. A. (1997). Discourse as interaction in society. In: Van Dijk, T. A. (Ed.). Discourse as social interaction. London: Sage, 1-37.

Vasconcellos, E. C. C., & Brisolla, S. N. (2009). Presença feminina no estudo e no trabalho da ciência na Unicamp. Cadernos Pagu, (32), 215-265.

Downloads

Publicado

2021-08-06

Como Citar

Costanzi, C. G., & Schneider Mesquita, J. (2021). “São essas mínimas coisas do dia a dia que vão te colocando no seu lugar, sabe, que não é ali”: O Cotidiano de Pesquisadoras Negras no Contexto Acadêmico da Administração”. Revista Gestão & Conexões, 10(2), 122–144. https://doi.org/10.47456/regec.2317-5087.2021.10.2.36025.122-144

Edição

Seção

Artigos